A primeira viagem à França

Clara , thomas e a Torre Eiffel

No dia que eu descobri que estava grávida, meu marido descobriu que havia sido aceito em um EMBA no INSEAD, considerado o melhor EMBA do mundo! Para nós isso significava que as viagens dele iriam aumentar pois o módulos do curso eram na China, França e Emirados Árabes. Como ele também já viaja muito à trabalho, ficou combinado que eu e Clara iríamos acompanhá-lo quando possível. E assim, em janeiro de 2017 logo após o nosso retorno do Natal na Dinamarca, nós fomos à França.

 

Campus do INSEAD em Fountainbleau

O curso do Thomas era na cidade de Fountainebleau que fica perto de Paris.  O plano era ficar em Fontainebleau e também passar uns dias em Paris onde nós temos amigos e família. Nós optamos por pegar o ferry que Dover, na Inglaterra à Calais, na França. Pegamos o carro bem cedinho, dirigimos até Dover onde pegamos o ferry. Aqui vou fazer um parêntese sobre ir à França da Inglaterra com seu próprio carro. Não existe a opção de dirigir seu próprio carro no eurotunnel. Então restam dois caminhos. O primeiro é cruzar o eurotunnel de carro pegando um trem. É bem simples: compra-se a passagem online, chegando em Folkestone, faz-se o check-in que é todo automatizado e depois de passar pelas duas imigrações (inglesa e francesa)  você entra no trem com seu carro. O tempo de viagem dentro do túnel é de 30 minutos mais ou menos. Em momento algum, do check-in até chegar na França é preciso sair do carro.

 

Clara e o Louvre

A vantagem dessa forma de viagem é a rapidez; são só 30 minutos de viagem. A desvantagem é que no trem não tem nada para fazer. Você fica dentro do carro parado em um túnel. Não tem para onde ir nem nenhum lanche para comprar. Tem banheiros, mas nem sempre todos funcionam e das vezes que eu fui, não achei fraldário e troquei a Clara no chão.

A segunda forma de levar o carro para a França é ir de ferry. O processo é o mesmo. Check-in autmotizado na chegada, imigração dos dois países no lado inglês sem precisar sair do carro e aí em embarcar no ferry. As vantagens são que o ferry tem uma infraestrutura enorme com mesas, sofás, restaurante, área de lazer para crianças, lojas de duty free e até um deck para poder tomar um ar fresco. A desvantagem é que demora bem mais que o trem.

Nessa primeira viagem à França com nosso carro optamos pelo ferry. Com toda a infraestrutura, incluindo os fraldários fui tudo super tranquilo. Como a Clara era recém-nascida, ela ficou  no sling onde praticamente dormiu o tempo todo. Chegando em Calais, dirigimos por mais duas horas, seguindo a recomendação de fazer uma parada depois de uma hora com a Clara na cadeirinha de bebê.

Catedral de Notre-Dame

Enfim chegamos em Fontainebleau,  uma cidadezinha pequena mas muito charmosa cujo principal ponto turístico é o castelo de Fountainbleau, que é um Patrimônio da Humanidade da UNESCO (que eu só vi por fora, infelizmente).  Nós optamos por ficar em um airbnb, algo que eu recomendo para todo mundo viajando com bebês e crianças pequenas. Esse airbnb que ficamos era uma guesthouse  que ficava no quintal da casa principal. Eram dois andares, com uma sala e banheiro no andar de baixo e um quarto maior no andar de cima. Não havia cozinha mas como a Clara ainda só amamentava e não estava em uma rotina mais rígida (mamava e dormia o tempo todo), isso não era problema, pois nessa época ainda era tranquilo sair com ela à noite para jantar pois ela dormia em qualquer lugar.

Pegamos um frio desumano na França em Janeiro de 2017. Os termômetros marcavam -9 graus e ainda pegamos neve. Na nossa primeira noite em Fountainbleau nós precisamos sair para comer e assim, Clara “viu” sua primeira neve.  Vestindo um snowsuit, dentro de um carrinho forrado de pele de carneiro e com a capa de chuva para proteger da neve, levamos Clara à uma pizzaria local. Ela mamou, nós comemos e voltamos para “dormir” (com um bebê de dois meses quem dorme né?!). Nesse caso, a casa oferecia um colchão que foi onde a Clara dormiu. Vale lembrar que hotéis e muitos airbnbs oferecem bercinho de bebê. No segundo caso é preciso pedir com antecedência.

Nossos dias em Fontainebleau eram muito calmos e todos muito parecidos. Thomas ia para  a aula e eu passeava pela cidade. O campus do INSEAD também era muito legal. Além de espaçoso, havia restaurante, café, lojinha e até área de lazer para crianças com vários brinquedos e bastante espaço. Por ser casada com um aluno, eu recebi um crachá que me dava acesso ao campus. Eu sempre começava meu dia bem devagar, me arrumando, arrumando a Clara, aí saía para comer alguma coisa e depois ia lá para o campus do INSEAD. À noite nós jantávamos em algum restaurante ou somente nós três ou com colegas do Thomas.

Clara em um restaurante belga em Fontainebleau

Uma observação sobre os restaurantes franceses. Ao contrário dos ingleses, raramente há fraldário. Por outro lado, os funcionários acomodam as nossas necessidades e em geral falavam que nós poderíamos trocar a Clara nas mesas vazias ao fundo do restaurante. Eu também me preocupava muito com a Clara chorar e incomodar os outros. Mas os  lugares que fomos nos receberam muito bem e além disso sempre jantávamos mais cedo para evitar lugares cheios.

Antes do nosso retorno à Inglaterra fomos à Paris. Tenho uma prima que mora lá e portanto ao chegarmos, almoçamos com ela e depois encontramos nossa amiga em um café e fizemos um verdadeiro tour-de-force noturno em Paris. Mesmo com o frio gelado do inverno, andamos pela cidade inclusive passando pelo Louvre, que à noite é lindíssimo. Pegamos um ônibus, onde a Clara mamou, e fomos para a casa dos nossos amigos onde passamos a noite.

No dia seguinte mais passeio. Decidimos fazer um tour de barco pelo rio Sena. Nesse passeio é possível tanto ficar no barco o tempo todo ou ir saindo nas paradas que ele faz. Foi uma boa solução para não ficar no frio o tempo todo mas ainda assim ver Paris. Tanto eu quanto meu marido já havíamos ido à Paris então não tinha aquela “pressão” de ver tudo. Passamos pela torre Eiffel, pelos Jardins de Luxemburgo, Pelo Panteão e pela Catedral de Notre Dame. Clara dormiu o tempo todo!!!!! Um momento que me marcou nesse dia foi quando passávamos pela Sorbonne e a Clara berrava de fome. Eu queria um lugar aquecido para poder amamentar pois a sensação térmica nesse dia era de -10 graus. Quando fui perguntar ao segurança da Sorbonne sobre a possibilidade de entrar na universidade ele primeiramente me disse que visitantes só podiam entrar com agendamento. Porém, quando ele viu que eu estava com um bebê, ele me perguntou se eu precisava amamentar. Eu disse que sim, e daí ele deixou que nós entrássemos e nos direcionou à entrada onde eu pude sentar e amamentar. Eu esqueci muita coisa dessa viagem, mas desse segurança eu tenho certeza que nunca vou esquecer!

Depois de dois dias de Paris, voltamos à Foutainbleau e de lá fizemos o caminho de volta para a casa: carro, ferry, carro. Posso dizer que a viagem foi muito boa apesar de cansativa muito mais pelo fato de termos uma recém-nascida do que pela viagem em si.

Algumas observações e dicas:

– Viajar com recém-nascido é bem mais fácil que com bebês maiores pois eles não precisam de entretenimento. Além disso ainda não tem uma rotina propriamente dita: mamam e dormem e só. Se for amamentado é mais fácil ainda. Em caso de bebês que tomam fórmula é preciso pensar na logística de onde e como preparar a mamadeira (uma experiência que eu não tenho).

– Airbnb é a melhor opção pois há mais espaço, e quando o bebê precisa de silêncio para dormir, você pode colocá-lo no quarto e ir para a sala beber um vinho, ver TV etc, ao invés de ficar num quarto escuro em silêncio total.

– Em viagens de carro lembre-se de fazer paradas especialmente com recém-nascidos.

– Como dizem os nórdicos: não existe tempo ruim, somente roupa inadequada. Frio, neve, chuva e vento não são impedimentos para sair com o bebê. Mas é preciso sim saber como vestí-los adequadamente. A melhor coisa é perguntar e pesquisar como os locais fazem.

– Para mães que amamentam: eu sempre amamentei em público, em todos os 16 países em que viajei com a Clara. A primeira coisa é saber a lei local. A segunda é saber os costumes locais. Na Europa eu sempre amamento em público por princípio!!! Nunca tive problemas.

– Berço de viagem: nós temos um mas quase não usamos. Ou o hotel/airbnb oferece ou o bebê pode dormir em um edredom dobrado (o que fazemos hoje em dia).

 

 

 

 

 

 

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